A América Latina não poderia escapar da tormenta estabelecida pela Guerra Fria, uma vez que sempre foi considerada pelos EUA como parte de seus domínios. O Brasil, no início dos anos 1960, procurava alternativas para sair de grave crise política e econômica.
Movimentos nacionalistas, contrários a investimentos estrangeiros, pregavam a busca de uma via autônoma no campo econômico. Parcelas crescentes da população exigiam melhores condições de vida, o que se traduzia em pressões por reformas profundas, que incluíam a reforma agrária, por exemplo. O governo do presidente João Goulart era simpático a essas reivindicações. Para afastar a "ameaça comunista", com apoio norte-americano e da Igreja Católica, latifundiários e empresários de diversos segmentos uniram-se às Forças Armadas para derrubar Goulart, eleito democraticamente pelo voto direto.
O golpe militar, vitorioso em 1º de abril de 1964, com base na "doutrina de segurança nacional", impôs aos poucos a ilegalidade e por fim submeteu o país a uma violenta ditadura com o Ato Institucional nº 5, decretado em dezembro de 1968. Aos olhos da esquerda, a situação mundial parecia madura para as revoluções socialistas. Ernesto "Che" Guevara, a despeito de seu fracasso na Bolívia, inspirou a criação de movimentos guerrilheiros em muitos países, inclusive no Brasil.
É nesse contexto que se dará a luta heróica de Zuzu Angel, até sua morte, em 1976.
O filme em sala de aula
Atividades para o tema "Brasil sob Ditadura"
Atividade 1
Zuzu entra em casa. A TV ligada noticia mais um assalto a banco e a despedida de Pelé da Seleção Brasileira de Futebol (o futebol, graças à conquista do tricampeonato mundial pelo Brasil, no México, em 1970, foi amplamente explorado pela ditadura, inclusive por meio de "marchinhas" ufanistas e acompanhadas de frases com significado nacionalista bastante duvidoso, como "Brasil: ame-o ou deixe-o").
Debata com os alunos: A ditadura explorou politicamente o futebol. Vocês acham que isso acontece ainda hoje? Como? Por que vocês acham que isso acontece? No que isso pode interferir no dia-a-dia das pessoas?
Atividade 2
No início do filme, a despeito do dia muito bonito e ensolarado, a presença do helicóptero é lúgubre, como se verá no final, com um corpo sendo lançado ao mar, a partir dele, na Restinga de Marambaia. E também, quando Zuzu recebe a carta de Alex Polari de Alverga (Alberto, no filme), narrando a prisão e morte de Stuart: na ocasião, alguém fala: "Mais comida de peixe na Restinga de Marambaia".
A Restinga de Marambaia (ou da Marambaia), no litoral do Rio de Janeiro, é área controlada pela Marinha. O tema Restinga de Marambaia pode ser explorado em aulas de Geografia, História, Meio Ambiente, pois ela delimita uma baía (Mangaratiba) já bastante poluída, mas santuário natural de muitas espécies marinhas. Sua história está ligada à do tráfico negreiro.
Peça aos alunos que, em grupos, pesquisem e apresentem um trabalho para a turma sobre um destes temas relacionados à Restinga de Marambaia: histórico das atividades da Marinha na área; diferenças entre restinga, baía, península, istmo, golfo; medidas de proteção ambiental; história da região e das comunidades que ali vivem.
Atividade 3
No hotel Copacabana Palace, outro personagem - um banqueiro - comenta que o trânsito da cidade está parado. Zuzu pergunta se foi outro seqüestro. Certamente a fala se refere ao seqüestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, ocorrido em 1969.
O embaixador foi trocado por 15 presos políticos, num dos episódios mais famosos da guerrilha urbana, narrado por Fernando Gabeira no livro O que é isso, companheiro?. Sem que Zuzu soubesse, Stuart participou do seqüestro. Por conta desse incidente, Fernando Gabeira até hoje nunca conseguiu visto de entrada nos EUA. O seqüestro foi comandado pelo guerrilheiro Virgílio Gomes da Silva, assassinado pela ditadura em 30 de setembro de 1969, que se tornou o primeiro "desaparecido político". Stuart "desapareceria" em 1971.
Dica: A história de Virgílio pode ser encontrada em http://www.desaparecidospoliticos.org.br
Que outros seqüestros aconteceram na época? Por quê?
Qual o interesse de banqueiros e empresários ao financiar a ditadura?
Atividade 4
No diálogo de Zuzu com o capelão militar, fica claro que o clero está dividido. A Igreja Católica apoiou o golpe de 1964, mas depois dividiu-se. Muitos padres se opuseram à ditadura e lutaram ativamente contra ela. D. Hélder Câmara, D. Paulo Evaristo Arns, os padres dominicanos que apoiaram Marighella. Vários foram presos e alguns foram mortos.
Peça que, em grupos, pesquisem os temas abaixo. Depois, reúna todos os trabalhos em uma pasta ou organize-os em um livro e deixe na classe ou na biblioteca da escola para consulta. Sugira que organizem uma bibliografia sobre os temas. E que não se esqueçam de anotar livros, artigos de revistas e sites consultados.
Religiosos que lutaram contra a ditadura. Quem eram? Qual a religião deles? Que idéias defendiam? O que fizeram? O que aconteceu com eles?
O que é Teologia da Libertação?
O que é o grupo Tortura nunca mais? Quando surgiu? Por quê? Qual sua atuação atualmente?
O que é o projeto Brasil: nunca mais?