Os primeiros sinais de inconformismo das mulheres com sua posição na sociedade ocidental remontam ao final do século XVIII. As transformações no campo social foram lentas e exigiram das mulheres muita disposição para lutar. A situação começou realmente a mudar quando elas saíram de casa em massa para trabalhar nas indústrias, durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, substituindo os homens, engajados nas frentes de batalha.
No Brasil, o processo de industrialização acelerou-se a partir dos anos 1950, abrindo espaços para as mulheres no mercado de trabalho. Porém, até 1962 a mulher brasileira não poderia viajar, ter conta em banco ou fazer uma cesariana sem a permissão do marido. Em meados dos anos 1960, a pílula anticoncepcional, desenvolvida na década anterior, desembarcou no Brasil.
Zuzu Angel começou a costurar em casa, a exemplo de muitas outras brasileiras. Já separada do marido, criou a "Zuzu Saias", mais tarde transformada na grife Zuzu Angel. No começo da década de 1970, Zuzu alcançara o auge de sua vida profissional, costurando para personalidades famosas do Brasil e do exterior. Desenhava e produzia roupas femininas coloridas, feitas com tecidos e motivos bem brasileiros. Utilizava enfeites artesanais, rendas do Nordeste e a chita, tecido discriminado na época por vestir os pobres. Ainda hoje, os dicionários brasileiros classificam a chita "como tecido ordinário". No entanto, agora ela está na moda.
A transformação criativa ocorreu em 1971, após a-prisão de Stuart, quando Zuzu inaugurou em Nova York o desfile-protesto e a moda politizada. Suas criações ganham tons escuros e desenhos infantis: o menino que hasteia uma pipa preta, o sol preto atrás das grades, a pomba da paz morta. Em 1972, viriam as estampas do anjo - ícone de sua marca - ferido e amordaçado, em homenagem a Tuti, o apelido do filho. Ela também criou uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos.
Para lutar, Zuzu se armava de esperança, com a persistência de mãe, a criatividade e a ousadia de artista. A obra consolidada e seus contatos internacionais - inclusive celebridades do cinema - permitiram que reunisse um dossiê sobre o filho e o encaminhasse à ONU e ao Senado dos Estados Unidos. O documento também foi entregue ao então secretário de Estado, Henry Kissinger, quando visitava o Brasil.
Zuzu foi seguida, recebia ameaças pelo telefone e teve sua loja incendiada, no Leblon, bairro da Zona Sul carioca. Mas, em nome do filho, ela não se calou.
O filme em sala de aula
Atividades para o tema "Universo Feminino"
Atividade 1
Falas e citações no filme que podem dar um bom debate.
Zuzu: "Eu não tenho coragem. Meu filho tinha coragem. Eu tenho legitimidade."
Zuzu: "Você quis mudar o mundo eu só quis mudar minha vida."
Atividade 2
Uma seqüência mostra Stuart ainda menino, com uma bola de futebol, conversando com dois colegas. O diálogo aponta o preconceito em relação às mulheres desquitadas (ou separadas) na época. Este é um assunto que merece reflexão e pesquisa.
Peça aos alunos que pesquisem: Quando as mulheres começaram a votar no Brasil? Quando o divórcio foi instituído?
Com o processo de industrialização, as mulheres entraram no mercado de trabalho, assumindo grande variedade de profissões e cargos. Os salários que recebiam eram iguais aos dos homens? Hoje, essa situação mudou?
Peça aos alunos que entrevistem um advogado especializado em Direito de Família para descobrir como evoluiu a legislação sobre os direitos da mulher no Brasil. Um advogado, alternativamente, poderá ser convidado para falar sobre o assunto na própria escola.
DICA: Para saber mais sobre o tema, consulte, por exemplo: http://www.comdim-poa.ufrgs.br/feminismo.htm.
Atividade 3
Zuzu diz que, separada do marido norte-americano, sustentou a família "costurando para fora". Essa frase tem grande importância, pois "costurar para fora" era uma das poucas atividades rentáveis que as mulheres tinham no Brasil até a década de 1950.
Peça que, individualmente, pesquisem e façam um breve relato sobre outras profissões que as mulheres exerciam nessa época; as "obrigações" da mulher enquanto dona-de-casa, mãe; como era a divisão sexual do trabalho (funções consideradas masculinas x funções consideradas femininas); o casamento, a concepção de família como forma de preservar a ordem social, a "boa formação".
Atividade 4
Depois da morte de Zuzu Angel (1976), começa em 1977 a luta de um grupo de mães na Argentina - As mães da Praça de Maio. Chamadas Las Locas de Mayo pela ditadura, em Buenos Aires, essas mães percorrem todas as quintas-feiras a Praça de Maio, querendo saber de seus filhos e netos. Muitas foram presas e torturadas, algumas estavam grávidas. Como Zuzu, superando o medo, o amor por seus filhos e o desejo de justiça as impulsionavam.
Com a turma toda, levante previamente algumas questões: O que foi o movimento das mães da Praça de Maio? Ele ainda existe? Quem participa dele? Pelo que essas mães lutam? Quem foram seus filhos? O que aconteceu com eles? O que a vida dessas mulheres tem em comum com a de Zuzu Angel? Depois, a partir da pesquisa que fizerem, deverão montar o próprio roteiro/questionário.
DICA: Entre outros, caso tenham acesso à internet, indique os sites:
http://www.aprendebrasil.com.br - Entrevista com Hebe de Bonafini, presidente da Associação das Mães da Praça de Maio
http://www.madres.org - Associação das Mães da Praça de Maio (em espanhol)
http://www.uva.br/izauva/zuzu/zuzu.htm - Universidade Veiga de Almeida - Escola de Estilo Instituto Zuzu Angel
http://www.zuzuangelofilme.com.br - Site oficial do filme